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Psicóloga Célia AraújoCRP 09/013212

Psicoterapia

O que acontece na primeira sessão de terapia online

· 4 min de leitura · Psicóloga Célia Araújo

Boa parte das pessoas que pensa em fazer terapia adia por um motivo pouco discutido: não sabe o que vai acontecer. E não saber o que vai acontecer, para quem já convive com ansiedade, é razão suficiente para deixar para depois.

Este texto descreve o que costuma acontecer em um primeiro encontro de psicoterapia online. Não para transformar a sessão em roteiro, mas para que a falta de informação deixe de ser o obstáculo.

Antes: o que você precisa preparar

Menos do que se imagina.

Do ponto de vista prático: uma conexão de internet estável, fones de ouvido, que melhoram a privacidade e a qualidade da conversa, e um lugar reservado onde você consiga falar à vontade sem ser interrompida. Esse último item é o que mais importa. Já vi sessões acontecerem no carro estacionado, e funcionam bem: o que se busca é privacidade, não ambiente ideal.

Do ponto de vista emocional: nada. Você não precisa preparar um relato, organizar uma cronologia nem saber nomear o que sente. Chegar sem saber por onde começar é uma forma perfeitamente comum de começar.

Durante: como a conversa se organiza

A primeira sessão tem duas funções que acontecem ao mesmo tempo. Uma é você falar. A outra é eu entender.

Costuma começar por uma pergunta ampla, do tipo o que te trouxe até aqui ou o que está acontecendo agora, e a partir daí a conversa se organiza sozinha. Você conta no seu ritmo. Se travar, eu faço perguntas. Se chorar, a gente continua quando você quiser. Se preferir começar por algo lateral antes de chegar ao ponto central, tudo bem: quase sempre o assunto principal aparece por vias indiretas.

Ao longo da conversa, eu vou fazendo perguntas de contexto: há quanto tempo isso acontece, em que situações costuma aparecer, o que você já tentou, o que ajudou e o que não ajudou, como está o sono, a rotina, as outras áreas da vida. Não é um questionário. São perguntas que ajudam a entender o funcionamento, e não apenas o sintoma.

O que não acontece

Alguns receios comuns, e o que de fato se passa.

Você não vai ser julgada. Não existe conteúdo que "não se pode" trazer. O que aparece na sessão aparece porque é relevante para você, e é assim que é tratado.

Não há conselho pronto. Terapia não é alguém te dizendo o que fazer. Boa parte do trabalho é justamente ampliar a sua capacidade de decidir a partir do que você valoriza, e isso não se transfere por instrução.

A sessão não é gravada. Nem por mim, nem por você. O sigilo profissional se aplica integralmente ao atendimento online, conforme o Código de Ética Profissional do Psicólogo.

Você não fica presa a nada. Uma primeira sessão não é um contrato. É um encontro para avaliar, dos dois lados, se faz sentido seguir.

No fim: o combinado

Os últimos minutos costumam ser dedicados a organizar o que veio.

Isso inclui uma devolutiva inicial: o que eu observei, que hipóteses fazem sentido, o que parece ser o núcleo da questão. E inclui a definição de um foco inicial de trabalho, que é construído com você e não entregue pronto.

Também é o momento de tratar do funcionamento: frequência dos encontros, horário fixo, forma de pagamento e as combinações sobre remarcações. São detalhes operacionais, mas a previsibilidade deles faz parte do que torna o processo sustentável.

Depois: e se não fizer sentido?

Pode acontecer, e é legítimo.

A relação terapêutica é um dos fatores mais consistentemente associados a bons resultados em psicoterapia, o que significa que a compatibilidade entre paciente e terapeuta não é detalhe secundário. Se depois de uma ou duas sessões você sentir que não é ali, dizer isso é parte do processo, não um problema. Encaminhar para outro profissional é algo que faz parte do trabalho.

Terapia online funciona?

É a pergunta que aparece com mais frequência antes do primeiro contato, e a resposta honesta é: há um corpo consistente de estudos indicando resultados comparáveis aos do atendimento presencial para a maior parte das demandas atendidas em consultório.

Isso não significa que seja indicada para todos os casos. Situações de risco, quadros que exigem acompanhamento presencial ou articulação com outros serviços de saúde precisam de outro arranjo, e essa avaliação faz parte do que se conversa logo no início.

Se o que te trava é começar

Vale separar duas coisas: a dificuldade de fazer terapia e a dificuldade de marcar a primeira sessão. Elas não são a mesma, e a segunda costuma ser bem menor do que parece de longe.

A primeira sessão é uma conversa. Você não precisa chegar com nada resolvido, nem com o problema formulado, nem com a expectativa organizada. Basta querer entender.

Se ficou alguma dúvida que este texto não respondeu, você pode me perguntar antes de marcar qualquer coisa. Não existe pergunta boba quando o assunto é dar o primeiro passo.